A desvalorização do real e a alta do dólar têm efeitos diretos no consumo do entretenimento ao vivo, deslocando o consumidor brasileiro a utilizar parte do seu orçamento para prazeres e experiências mais imediatas, como shows, festivais e outras ocasiões similares. Perder poder de compra pode induzir a população – num primeiro momento – a priorizar experiências e gastos no presente ao invés de outras alternativas de longo prazo.
Este fenômeno pôde ser observado no setor do entretenimento e da gastronomia nos nossos vizinhos argentinos. Em 2023, com a rápida desvalorização do peso frente ao dólar e a alta inflação, a população de classe média e alta adotou um padrão de consumo imediato, dando vida à expressão “queima nas mãos” – quanto ao Peso argentino. A capital Buenos Aires viu um crescimento rápido no número de clubs, surgimento de selos e festas com ingressos esgotados e público borbulhante, além do boom de bares e restaurantes. Jantar fora se tornou parte do hábito para os portenhos, assim como as madrugadas embaladas por cúmbia e fernet. As mudanças recentes na economia do país alteraram este cenário, retraindo o consumo interno como um todo.
Abrasileirando este registro, nota-se que a desvalorização do Real tornou alguns hábitos mais distantes. Com isso, o povo que tem “rodinha no pé” trocou a viagem ao exterior pelo turismo interno e gerou uma movimentação extraordinária nos vôos domésticos, segundo dados da Agência Brasil – 35% da população do país optou por viajar a lazer de dezembro de 2024 a fevereiro de 2025, o que induziu ao aumento de 10,7% dos vôos domésticos durante o verão, se comparado ao mesmo período anterior.
O entretenimento, juntamente com o lazer e turismo, passa a ser uma das opções queridas, estimulando o setor. Um exemplo de empresa que soube se adaptar e absorver as oportunidades é o Byma, plataforma de venda e gestão de ingressos que chegou próximo à marca dos 3.000 eventos parceiros no ano de 2024 – além de registrar recorde em seu faturamento. Com uma plataforma robusta e tecnológica, o grupo absorveu novos mercados e se consolidou como um dos principais fenômenos do setor. O crescimento reflete a demanda por soluções eficientes e inovadoras no entretenimento, mostrando que, mesmo em tempos de incertezas econômicas, há espaço para inovação e sucesso.
À beira do carnaval e observando este movimento do setor, é possível notar – ainda mais – o foco de grandes marcas em gerar conexões com os eventos e seus públicos através de ativações e live marketing. A potência e o alcance da maior festa do Brasil – e de quem sabe promovê-la – está cada vez mais em evidência. O entretenimento borbulhante, a moeda desvalorizada e os investimentos no setor tendem a gerar mais eventos acessíveis em 2025, moldados em uma base de artistas nacionais e a pluralidade da nossa cultura, fortalecendo ainda mais a indústria brasileira do entretenimento ao vivo.




